Comportamento no Trânsito

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Esta Aula pertence ao Curso de Educação para o Trânsito  oferecido pela Ensino Nacional

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INTRODUÇÃO
Dados de 2012 mostram que a cada 24 horas, 400 crianças são hospitalizadas por atropelamento no Brasil. Veja outros dados relativos ao comportamento no trânsito.

• No Brasil, o custo social e material dos acidentes de trânsito equivalem a cerca de 1% do PIB.
• Nos Estados Unidos, por exemplo, os principais custos em função de acidentes de trânsito correspondem a danos de propriedade, perda de produtividade no trabalho, despesas médicas e perda de produtividade no lar.
• E o fator humano é a principal causa desse número elevado de acidentes.
• O comportamento do homem e como ele lida com o trânsito é um dos fatores que ajuda a entender porque no Brasil esses números são tão elevados.
• O homem e suas necessidades, interesses e personalidade causam conflitos no trânsito.
• Para se satisfazer, alguns condutores obedecem às leis e outros as ignoram, buscando benefício próprio.
• O veículo se torna uma espécie de arma, e é usado para impor medo em todos ao redor, tornando o trânsito um local agressivo.
• O trânsito é feito de humanos e o comportamento de cada um afeta diretamente a movimentação e dinâmica do trânsito.
• A reação de agressividade, por exemplo, pode ser resultado do sentimento de frustração ou do insucesso do indivíduo de lidar com a condição que ele se depara.
• Mas cada um tem um comportamento.
• Depende da situação, escolaridade, experiência de vida, nível socioeconômico, cultura, enfim, uma série de fatores.
• O comportamento muda conforma as necessidades e condições que se apresentam para aquela pessoa.

CAMPANHAS DE EDUCAÇÃO NO TRÂNSITO
Alguns especialistas concordam que o Brasil poderia se inspirar nas campanhas de trânsito de países que mostram as consequências da violência do trânsito.

• As campanhas internacionais procuram educar quanto ao uso de bebida e direção mostrando o que acontece quando não se segue as normas básicas de trânsito.
• Um destaque é para uma campanha da Austrália, que mostra exemplos reais e fictícios.

Austrália
• A Austrália começou no final da década de oitenta a fazer campanhas de trânsito com uma mensagem mais realista sobre os acidentes de trânsito.
• Se tornou um caso de sucesso e seu modelo foi exportado para vários países.
• Os comerciais são produzidos pela TAC – Transport Accident Comission (Comissão de Acidentes de Transporte), do estado australiano de Victoria.
• Os personagens são pessoas comuns, mostrando que os acidentes podem acontecer com qualquer um, procurando fazer com que as pessoas se identifiquem com o comercial.
• Além dos vídeos de ficção, são utilizados depoimentos reais de familiares de vítimas.
• De acordo com os responsáveis o objetivo é chocar o público para provocar a mudança no comportamento.
• Os resultados são claros: houve redução em mais de 50% nos acidentes com mortes no país.
• Quando as propagandas de iniciaram, em 1989, a Austrália contabilizava 2801 mortes por ano nas ruas e estradas.
• Em 2010, 1352 morreram no trânsito, representando uma redução de 52%, mesmo com o aumento do número de veículos em circulação.

Brasil
• No Brasil, estima-se que o número de mortos no trânsito seja de aproximadamente 40 mil pessoas.
• No país ainda há certa resistência quanto ao uso de campanhas que mostrem de uma forma mais real a violência dos acidentes.
• Somado a isso, a certeza da impunidade impera no país, diminuindo ainda mais as chances de fazer com que os motoristas se conscientizem.

Brasília
• Em 1997 a cidade começou uma campanha para respeitar a preferência do pedestre nas faixas em que não há semáforo.
• Quando quer atravessar, o pedestre sinaliza com um braço e aguarda até que todos os carros parem.
• É o “sinal da vida”.
• Os motoristas param em 85% das vezes.
• Além da campanha, as autoridades colocaram agentes de trânsito nas faixas de pedestre sem semáforo.
• Os motoristas que ignoravam o sinal recebiam advertência nos primeiros meses e depois, multa.
• Hoje já é um hábito adquirido.
• Foram feitas também campanhas educativas nas escolas.
• O resultado: no ano de 2010 Brasília registrou 7 mortes de pedestres. Em SP, no mesmo período foram 630.
• Brasília é uma das cidades mais seguras para pedestres no país, com registro de 77 mortes nas faixas nos últimos 14 anos.

Obs: Faixa de Pedestres
Hoje, várias cidades estão seguindo o exemplo de Brasília: Florianópolis, Curitiba, Natal e Recife são algumas das cidades que estão tentando mudar os hábitos da população (motoristas e pedestres).

VEJA ESTA CAMPANHA DE TRÂNSITO DA AUSTRÁLIA
O objetivo é mudar o comportamento dos motoristas mostrando a realidade por trás dos acidentes de trânsito e suas consequências. Segundo estatísticas, a Austrália tem 6,14 mortes no trânsito para cada 100.000 habitantes.
No Brasil, há 21,36.

AVALIAÇÃO DE SEU COMPORTAMENTO NO TRÂNSITO
O condutor deve estar atento e preparado para enfrentar esses comportamentos. Veja algumas dicas para dirigir de forma mais segura.

Comportamento:
• Especialistas afirmam que os condutores julgam que a culpa é sempre do outro.
• Falta olhar para o próprio comportamento.
• No dia a dia é possível encontrar todos os tipos de comportamento no trânsito: os egoístas, apressados, impulsivos, distraídos, eufóricos, etc.

Dicas:
É preciso também estar atendo ao próprio comportamento. Veja algumas dicas:
• Analisar sempre seu modo de dirigir, imponha limites;
• Usar o bom senso, através de uma postura segura;
• Planeje-se com antecedência, evitando lugares como: áreas escolares, trechos em obras, etc.;
• Antecipe sua saída em 10 ou 15 minutos, o que se torna um ganho de tempo e diminui o estresse;
• Evite dirigir se estiver nervoso.

FATOR HUMANO
Estima-se que as principais causas de acidente no Brasil seja o fator humano.

• As atitudes inadequadas prejudicam o bom desempenho do trânsito, colocando tanto as pessoas em risco como a si mesmo.
• Essas atitudes podem ser tomadas por falta de informação ou desconhecimento dos procedimentos corretos, pelas condições físicas e/ou psicológicas dos condutores, por alguns motoristas colocar seus interesses acima da coletividade, etc.
• De acordo com um estudo organizado pelo Conselho Regional de Psicologia (10ª região), existem seis fatores humanos que causam os acidentes de trânsito: ignorância, desobediência, emoção, valores, personalidade e lentidão de raciocínio.
• Os fatores podem ser de ordem cognitiva, ou seja, relacionados ao processamento da informação, ou de ordem social, com caráter motivacional.
• O comportamento é resultado do conflito pela disputa do espaço, na busca da mobilidade que atenda necessidades e interesses diversos.
• Outro ponto de conflito pode ser a intenção de impressionar os outros e/ou confirmar sua autonomia.
• Para avaliar o comportamento humano no trânsito deve-se contemplar os processos psicológicos que atuam durante a condução do veículo: atenção e percepção das condições de trânsito, interpretação e avaliação das informações, tomada de decisão e ação.
• Todos esses processos são articulados pela inteligência, personalidade, estilo cognitivo, motivação, aprendizagem, memória e experiência.

COMPORTAMENTO NO TRÂNSITO
• Por vezes, o trânsito é usado como uma disputa de espaço.
• É comum encontrar pessoas que sejam mais privilegiadas e que, por ter um veículo maior ou mais potente, se sentem superiores aos outros com carros menores ou pedestres.
• Os motociclistas, por serem mais rápidos, também sentem-se, algumas vezes, no direito de desrespeitar as leis de trânsito.
• E os pedestres, que não se sentem como parte do trânsito, não seguem regras e desrespeitam as faixas de segurança, contribuindo para um trânsito caótico.
• Dessa maneira, condutor, motociclistas e pedestres, todos se criticam e todos reclamam de todos.
• Não é questão de quem está certo ou não, as pessoas sempre acham que o outro é quem está errado.
• O trânsito é uma negociação de espaço permanente, coletiva e conflituosa.
• A disputa pelo espaço gera o conflito.
• Para garantir o respeito e convivência e atenuar os conflitos são criadas leis, normas e regras.
• Toda sociedade humana possui formas de controle do comportamento social.

Segundo o livro “Comportamento Humano no Trânsito”, existem três tipos básicos de comportamentos de motoristas de trânsito:
1. Cautelosos: são os que respeitam normas, regras, o espaço do outro.
2. Os donos do mundo: briguentos, agitados. Para eles, o outro motorista não sabe de nada e tudo deve girar em torno deles.
3. Comportamentos mascarados: parecem pessoas adequadas em família ou no trabalho, mas no trânsito revelam comportamentos agressivos. O carro é um objeto de poder e autoafirmação, sendo em alguns casos, uma maneira de compensar inseguranças ou sentimentos de inferioridade.

• É importante lembrar que o comportamento é apenas uma parte do trânsito.
• O trânsito é um movimento permanente em um espaço público por onde circulam: motoristas, ciclistas, pedestres, das mais variadas etnias, crenças, gostos, sonhos, motivações, níveis de instrução, etc.
• E esse movimento é regido por uma legislação, garantindo o direito e a segurança de cada indivíduo no coletivo.

Obs: O livro “Comportamento Humano no Trânsito” ainda mostra algumas diferenças entre homens e mulheres. Veja algumas características dominantes para cada gênero:
• Homens: competitivos, agressivos, raciocínio lógico e têm orientação espacial.
• Mulheres: intuitivas, preferem argumentar, têm destreza manual e são voltadas para o cuidado.

COMPORTAMENTO DO BRASILEIRO
• O antropólogo Roberto DaMatta explica sobre como é o comportamento do brasileiro no trânsito.
• Segundo ele, o brasileiro não tem uma consciência do outro como um igual, alguém com os mesmos direitos e deveres.
• A consciência coletiva ainda não internalizou a igualdade como um valor.
• Isso cria uma visão distorcida das normas. No lugar de serem vistas como algo positivo, que orienta e gera confiança, são tidas como obstáculos.
• Para o brasileiro obedecer normas ou leis é sinal de inferioridade.
• Quando na verdade obedecer é um sinal de superioridade social, de consciência de igualdade.
• O processo de educação é uma maneira para mostrar que os motivos pessoais não podem se sobrepor às regras, pois são elas que dão harmonia no trânsito.
• Uma das maneiras sugeridas pelo antropólogo para mudar os comportamentos, seria fazer campanhas que revelassem os aspectos negativos desses comportamentos, isso ressaltaria o lado correto.
• Ainda de acordo com o antropólogo Roberto DaMatta, o trânsito no Brasil é complicado porque produz igualdade em uma sociedade que, no fundo, continua aristocrática. (Obs: Aristocrática = Elitista)
• Junto a isso, as pessoas esquecem que têm direitos e deveres, e querem apenas direitos.
• Para ele, o automóvel é uma extensão da personalidade do seu dono.
• Outro fator que determina o comportamento do condutor no país é que não há educação para todos.

Punição como Prevenção
• As punições de trânsito são implementadas geralmente como medida de prevenção de comportamentos que possam vir a causar acidentes.
• É visível a eficácia entre o número de multas e a redução de acidentes.
• Mas para isso é preciso ter a certeza da punição, através da presença de agentes de trânsito.
• Países que reduziram sensivelmente os acidentes possuem rigorosos procedimentos de fiscalização, tendo se tornado mais eficaz do que valores altos de multas.
• No Brasil, a falta de fiscalização faz com que esse instrumento perca sua eficácia.

FATORES QUE DIFICULTAM RELACIONAMENTO HUMANO
No trânsito você não está sozinho, as leis foram feitas para todos. Veja alguns fatores que dificultam o relacionamento humano no trânsito.
• Supervalorização da máquina: quem tem o melhor veículo tem mais direitos e menos deveres.
• Inversão de valores: o veículo é um instrumento de poder.
• Falta de controle emocional do indivíduo: somente seus problemas e suas verdades devem ser respeitados.
• Egoísmo: os outros não existem, falta de pensar no coletivo.
• Descaso a normas e regulamentos: a legislação de trânsito é para os outros e não para si mesmo.
• Falta de domínio sobre os impulsos indesejáveis: motoristas que falam palavrão e gestos obscenos, acham-se donos da rua.
• Uso inadequado dos mecanismos de ajustamento: famoso “jeitinho” para fugir das leis de trânsito.
• Falta de planejamento de horários e percurso: condutores que tentam recuperar o tempo perdido apressando os outros condutores.
• Desconhecimento: sem conhecer as leis, sinalização, o veículo, não tem como agir corretamente.
• Desrespeito aos direitos alheios: se você cometer uma infração de trânsito, você estará ferindo direitos alheios.

O que é preciso para promover interação social no trânsito:
Aceitar e cumprir a legislação;
Quando necessário, abrir mão dos seus direitos para respeitar o direito alheio;
Ajuda mútua para evitar ou solucionar problemas de trânsito.

ATITUDES PARA UM TRÂNSITO MAIS HUMANO
Veja algumas atitudes que tornam o trânsito mais humano, seguro e educado:
1 → Se estiver trafegando mais lentamente, mude para a faixa da direita e deixa a esquerda livre para ultrapassagens.
2 → Em vez de mudar de pista bruscamente, confira antes o retrovisor e use as setas.
3 → Diminua a velocidade na chuva.
4 → Ao invés de deixar o veículo em fila dupla, ande um pouco mais e procure uma vaga mais adiante.
5 → Se estiver atrás de um veículo que está indicando que vai virar à esquerda, ultrapasse-o pela direita. É a única exceção à regra de ultrapassagem.
6 → Usar capacete. Além de oferecer segurança, é lei.
7 → Não “fure” o sinal vermelho e pare antes da faixa de pedestre. Respeite o próximo antes de tudo.

Obs: Correção de Comportamentos no Trânsito
A correção de desvios comportamentais no trânsito pode se dar por meio de algumas medidas como:
• Um sistema de habilitação que considere avaliações médica e psicológica, além dos exames teóricos e práticos;
• O ensino de trânsito no sistema educacional;
• Intensificação de fiscalização onde há maior risco de acidentes.

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