Controle de Epidemias

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Esta Aula pertence ao Curso de Controle de Endemias oferecido pela Ensino Nacional

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ENDEMIA-EPIDEMIA-PANDEMIA: CONCEITOS E DIFERENÇAS

  • A endemia se manifesta somente em uma determinada região, não se espalhando por outras comunidades. Um exemplo no Brasil são as áreas de febre amarela e a dengue, que tem caráter contínuo e restrito. Lembrando que as pessoas que viajam para áreas endêmicas precisam ser vacinadas antes de ir para o lugar.
  • Já a epidemia é uma doença infecciosa transmissível que se espalha numa região rapidamente, aparecendo vários casos da doença em um curto período de tempo, chamado surto epidêmico. Em geral, isso acontece pela mutação do agente transmissor da doença num local onde ela não existia ou não tinha conhecimento da mesma.
  • A Pandemia é quando uma doença contagiosa se espalha em grandes proporções, por um ou mais continentes pelo mundo afora e, eventualmente, acabando com cidades e regiões inteiras. Quando aparece um vírus, por exemplo, e a população não tem o conhecimento ou se espalha facilmente, temos a AIDS, uma doença que se não for prevenida, causa sérias consequências.
  • A grande diferença entre Endemia, Epidemia e Pandemia é pelos locais e pela forma que se espalha, sendo que quando a doença existe apenas em uma determinada área é endêmica; se a doença é transmitida para outras populações é Epidemia; quando se espalha pelos continentes do mundo inteiro temos aqui uma pandemia.

Observação: Qual a epidemia que deixou a humanidade em estado de alerta?
Em 2009, a humanidade viu uma variação do vírus da gripe colocar todo o mundo em estado de alerta. Chamado de gripe suína, o vírus surgiu no México e rapidamente se espalhou para outros continentes fora da América do Norte. “Essa nova forma de gripe fez com que as pessoas alterassem seus hábitos, como disponibilizar álcool em gel nos mais diversos ambientes, lavar as mãos com frequência, entre outros”, diz o presidente da Sociedade Brasileira de Infectologia, Marcelo Simão Ferreira.

O CONTROLE DAS ENDEMIAS NO BRASIL E SUA HISTÓRIA

  • O início do controle das endemias ocorreu pelo século XIX e começo XX, uma enorme quantidade de agentes infecciosos e seus vetores, onde durante séculos o controle dessas doenças se fundamentava na medicina dos humores, que se tratava do coração, do sistema respiratório, fígado e por último o baço.
  • Em 1899 chegou aos portos brasileiros a Peste Bubônica, ocasionando uma epidemia no Rio de Janeiro e no Espírito Santo, situação que fez o governo se posicionar quanto as endemias e epidemias que vinham ocorrendo. A renovação sanitária foi uma grande resposta quanto ao maior apoio do governo central, empreendendo grandes obras de saneamento.
  • Logo após o fim da Segunda Guerra Mundial, veio também a ideia que as doenças endêmicas podiam ter uma maneira de serem controladas, e até possível, erradicadas, onde o governo norte-americano através de agências de cooperação internacional, assim como os organismos internacionais de saúde implantaram uma série de ações globais e regionais, com foco no controle e na erradicação das doenças.
  • No fim do século XX algumas endemias foram controladas pelos programas controladores, outras pela evolução da sociedade, como urbanização, saneamento básico e a melhoria das condições de vida, apesar de uma boa parte da população ainda viver na linha da pobreza.

PRINCIPAIS ENDEMIAS, EPIDEMIAS E PANDEMIAS NO BRASIL

  • As principais endemias existentes no Brasil hoje são: a febre amarela, a malária, a dengue, o tracoma, a tuberculose. Todas essas doenças são causadas por vetores, por exemplo, a dengue pelo mosquito Aedes Aegypti.
  • Quando se fala em Epidemia, logo pensamos na febre amarela, que em 1849 e 1850 teve uma grande proporção, atingindo quase o país inteiro, sendo a cidade que mais sofreu foi o Rio de Janeiro, onde a consequência foi estabelecer medidas autoritárias e preventivas para erradicar de vez.
  • Considerada uma das maiores pandemias já existentes no mundo e no nosso país, a gripe suína se alastrou de uma forma assustadora, no começo sendo uma pandemia e posteriormente, com a vinda do controle, com vacinas, prevenções, tornou-se uma epidemia.
  • Lembrando que para ter um conceito de Pandemia, a doença ou a condição de se espalhar e matar grande volume de pessoas, deve ser infecciosa, sendo que para iniciar o agente infecta os seres humanos, causando as sérias consequências. 

VIGILÂNCIA EPIDEMIOLÓGICA

  •  É a detecção ou prevenção de qualquer mudança nos fatores, determinados e condicionantes da saúde individual ou coletiva.
  • Tem como objetivo obter as taxas endêmicas, os fatores de risco, ocorrência de surtos, resistência antimicrobiana, comparar dados entre hospitais e a população.
  • A organização se dá por meio do Poder Estadual, que através dos órgãos competentes propõe mecanismos de integração das redes Municipais.

Observação: Por algum tempo prevaleceu a ideia de que a epidemiologia restringia-se ao estudo de epidemias de doenças transmissíveis. Hoje, é reconhecido que a epidemiologia, enquanto ciência, trata de qualquer evento relacionado à saúde (ou doença) da população.

AS PRINCIPAIS DOENÇAS ENDÊMICAS QUE AFETARAM O BRASIL.

Malária

  • É uma doença muito grave, que ocorre por causa da picada do agente transmissor chamado Anopheles Darlingi, sendo que em nível mundial foi a mais séria e a mais impactante das doenças transmissíveis.
  • Porém, em virtude de campanhas curtas e perfeitas, nos anos de 1940 e 1950 houve a erradicação das transmissões dos casos mais infectantes, situação que foi a cada ano melhorando, pois no ano de 2000, surgiu o Plano de Intensificação das Ações de Controle sobre essa doença, resultando com a redução de 40 % dos casos, 70 % de redução de internações e encolhimento de 36,5 % em número de mortes.

Leishmaniose Cutânea

  • É causada pela transmissão de um parasita chamado Leishmania, sendo que os vetores são os mosquitos flebotomíneos, popularmente conhecido como Mosquito Palha.
  • Além de ser infecciosa, ela agride as estruturas da pele da nasofaringe, de forma localizada e difusa, causando um grave problema á saúde pública. De tão perigosa que ela é, pode causar deformidade física nas pessoas, ocorrendo entre ambos os sexos e todas as faixas etárias.

Leishmaniose Mococutânea

  • É uma doença infecciosa e não contagiosa, e é causada pelo protozoário Leishmaniose Brasiliensis, se manifestando com o aparecimento de úlcera na mucosa nasal, surgindo as vezes uma perfuração, podendo atingir os lábios, o palato e a nasofaringe.
  • Para fins de prevenção, a Vigilância da Saúde recomenda que seja usado repelente onde os vetores possivelmente sejam encontrados, manter o ambiente onde reside com animais domésticos sempre limpos. 

Leishmaniose Visceral

  • A Calazar, como é conhecida, é causada pelo protozoário Tripanossomatídeo Leishmania Chagasi, onde o principal vetor é o Lutzomya Longipalpis, tendo como manifestação uma febre alta, longa e duradoura, podendo levar a pessoa á óbito.
  • O cão doméstico é o reservatório mais importante do vetor, sendo por último o homem como hospedeiro final. Já o tratamento desta doença é realizada por meio de antimoniais, pentamidina, anfotericina, ou miltefosina.

Esquistossomose

  • O verme parasita Schitossoma Mansoni, é conhecido como “barriga d’água”, “doença do caramujo”, ocorrendo em várias partes do mundo se não for controlada, lembrando que ela ataca o fígado e o baço, e se não for tratada a tempo a pessoa pode ir á óbito.
  •  No Brasil ainda não existe nenhuma vacina contra a doença, sendo que o tratamento é realizado com antiparasitários em dose única, mas a prevenção é o melhor remédio, como ter saneamento básico, certificar-se que a água que é ingerida é limpa e outros procedimentos importantes.

Febre Amarela

  • Essa doença é causada por um vírus chamado flavivírus, encontrado em primatas não humanos que habitam a floresta, sendo que o vetor desta doença também é o Aedes Aegypti, mesmo transmissor da Dengue.
  • Infelizmente, não existem medicamentos específicos para o tratamento desta doença, sendo como recurso a hidratação e o uso de antitérmicos que não contenham ácido acetilsalicílico, pois se conter, a chance de ocorrer uma grande hemorragia é enorme, agravando a situação, por que este componente bloqueia a coagulação de plaquetas.

Dengue

  • A dengue é uma doença gravíssima, além de ser infecciosa, febril e aguda, ela é transmitida pelo mosquito Aedes Aegypti, sendo um problema mundial, onde se propagou tanto que já é classificada em estágios.
  • O tratamento ainda não está especificado, restando como alternativa derradeira o uso de analgésicos e antitérmicos, devendo ser evitado o salicilato e anti-inflamatórios, já que o uso pode trazer uma crise hemorrágica e acidose.

Tracoma

  • O Tracoma é uma doença que afeta as córneas, as pálpebras, ocasionando a inflamação crônica que pode levar a uma escoriação da córnea e cegueira, lembrando que a bactéria possui um período de incubação de 5 á 12 dias, depois os afetados apresentam irritação nos olhos, além de corrimento ocular, inchaço.
  • Para prevenir o tracoma são necessários hábitos de higiene, e também a educação sobre a doença, na tentativa de instruir as pessoas quanto ao perigo que causa, tendo a duração do tratamento de 2 meses.

Doença de Chagas

  • Essa doença ela é causada pelo protozoário parasita chamado Trypanossoma Cruzi, que é transmitido pelas fezes do barbeiro, inseto vetor da doença. Tem esse nome pois o cientista Carlos Chagas descobriu essa enfermidade.
  • Quando o inseto dá a picada, a área se torna endurecida, constituindo o chagoma, uma lesão que a pessoa sofre. Não existe vacina contra esta doença, e a forma mais ideal de prevenir é aplicando os inseticidas eficazes, eliminação dos animais infectados, e o descarte do sangue afetado pelo parasita.

Hanseníase

  • O micróbio Hansen é o responsável pela doença, que ataca a pele, os olhos e os nervos, também é conhecida popularmente por Lepra, Morféia, Mal-da-Pele.
  • Os principais sintomas são: manchas esbranquiçadas, avermelhadas ou amarronzadas, em qualquer parte do corpo, inchaço de mãos e de pés, nódulos pelo corpo. Esta doença tem cura, que se dá pela quimioterapia específica, não obstante, é importante prevenir esta doença, buscando sinais ou informações sobre a mesma, pois o quanto antes for descoberta, mais fácil será a cura.

Tuberculose

  • É uma doença infecciosa, causada pela bactéria chamada mycobacterium tuberculosis, lembrando que esta pode atingir todos os órgãos do corpo, em especial os pulmões, onde em casos mais graves a pessoa começa a tossir com eliminação de sangue, dificuldade pra respirar, dentre outras consequências.
  • O tratamento é realizado através de drogas, e é muito eficaz, sendo que estes remédios possuem efeitos colaterais, portanto, o acompanhamento médico é essencial, e quanto a função da substância, é reduzir a população bacteriana a curto prazo.

Cólera

  • A cólera ataca o intestino dos seres humanos, e é causada pela bactéria Vibrio Cholerae, que se transmite através de água e alimentos contaminados, onde nos casos mais complexos existe a diarreia intensa, perda de água, que causa a desidratação.
  • Com base em estudos, o tratamento da cólera só ocorre por meio de reidratação, e com a complicação, pode danificar o organismo em qualquer idade, principalmente as crianças pequenas e idosos.  Existem algumas precauções recomendáveis como adotar melhores medidas de higiene em casa e no trabalho, evitar contato direto com água da enchente, lavar frutas e verduras.

CLIMA E ENDEMIAS TROPICAIS

  • Com a mudança climática, e o desmatamento, acaba ocorrendo a dizimação de florestas inteiras, levando centenas de espécies á extinção, sofrendo uma grande alteração não só local, mas global. Somada a baixa qualidade de vida, características de quase todos os países tropicais, estimula a ocorrência de endemias.
  • Rojas e Toledo, autores do livro “A malária no Amazonas” comentam que: “A malária responde à medida que é estimulada, seguindo o seu “curso natural”, observando-se, a cada ano, uma ampliação dos espaços de transmissão, quer por contiguidade ou por instalação de novos focos a distância. O declínio dos níveis endemo-epidêmicos só é verificado de forma pontual pela intensificação das medidas de controle, ou quando fatores determinantes da transmissão cessam ou diminuem de intensidade.
  • A malária é muito mais violenta nos garimpos, pois é péssima a qualidade de vida vivenciada pelos trabalhadores, pois vivem constantemente sob os riscos que a profissão tem, lembrando que por ser uma atividade nômade, depois de esgotado os recursos explorados, eles partem para outro lugar, deixando para trás o meio ambiente degradado e levando consigo todas as enfermidades adquiridas.
  • Há vários projetos na Amazônia, como exploração mineral, madeireiras, garimpos, que causam devastação na natureza e desestabilizam as populações locais, trazendo com isso a pobreza, a baixa expectativa de sobrevivência.
  • Para Ignacy Sachs o desenvolvimento sustentável deve se dar por meio de sistemas integrados de produção de alimentos, energia e outros bens, promovendo o manejo sustentável das florestas e exploração agrícola. Hoje o maior desafio é desenvolver o aperfeiçoamento da legislação ambiental e o monitoramento, fiscalizando e multando as empreendedoras que infringirem, e a troca de padrões tecnológicos, para o fim de ajudar cada vez mais os estudiosos e a população em si com esses avanços.

Observação: Trabalhos recentes, como o estudo da Fiocruz sobre o Índice de Vulnerabilidade Geral (IVG), patrocinado pelo Ministério da Ciência e Tecnologia, sinalizam um avanço para o diagnóstico das influências climáticas associadas às doenças que atingem a população. Os pesquisadores da Fiocruz chegaram ao IVG a partir da mensuração e análise de três informações básicas: a ocorrência de doenças (Índice de Vulnerabilidade Epidemiológica), as condições de vida da população (Índice de Vulnerabilidade Socioeconômica) e as mudanças climáticas (Índice de Vulnerabilidade Climatológica).

Comentários

  1. MARCILENE

    Excelente site bem simplificado, bem objeto e direto nos temas das epidemias.

    Meus parabéns.

  2. Lib

    Bom esse blog, o post foi legal.

  3. Ótimo post, obrigado por compartilhar 😀

  4. JALINE PESSANHA DA SILVA

    Quero me escrever neste curso, quais os materiais didáticos utilizados. Tem vídeo aulas?

    • Danyllo Rodrigues

      Bom dia Jaline, os cursos são ministrados através de módulos interativos, alguns possuem vídeo aulas sobre o tema. caso queira conhecer mais a respeito deste curso acesse: Curso Controle de Endemias

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