Variação Linguística

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Esta Aula pertence ao Curso de Língua Portuguesa  oferecido pela Ensino Nacional

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GLOSSÁRIO

Dialetos
• Mudanças de tipo geográfico se chama dialeto e o seu estudo é a dialetologia.
• Dialeto nada mais é do que a forma particular, adotada por uma comunidade, na fala de uma língua.
• Logo, pode-se falar inglês australiano, inglês britânico, etc.
• Não há um limite geográfico preciso.
• Diz-se que uma língua é um conjunto de dialetos na qual os falantes se entendem.
• Para o português isso até pode ser verdade, mas para o alemão, por exemplo, há dialetos que são ininteligíveis entre si.
Idioma
• Termo intermediário na distinção dialeto-linguagem.
• É usado como referência ao sistema comunicativo estudado (podendo ser chamado de dialeto ou linguagem) quando é irrelevante sua condição em relação à esta distinção (sendo um sinônimo para linguagem em um sentido mais geral).
Socioletos
• São as variantes faladas por comunidades socialmente definidas (com características sociais em comum, tais como profissão, faixa etária, etc.), e usam termos técnicos, gírias ou fraseados que os distinguem dos demais falantes na sua comunidade.
• É chamado também de dialeto social ou variante diastrática.

Linguagem Padrão/Norma Culta/Norma Padrão
• É a variedade padronizada com base em regras estabelecidas do que deve ou não ser usado.
• Levam-se em conta fatores linguísticos e não linguísticos, como tradição e valores socioculturais.
• É a variedade frequentemente adotada pelos falantes instruídos e na comunicação pública.

Idioletos
• É uma variedade particular de um indivíduo.
• Pode também ser definido como o conjunto de traços próprios ao seu modo de se expressar.

Registros ou diátipos
• É o vocabulário/gramática específicos de certas atividades ou profissões.
Obs: A distinção entre dialetos, idioletos e socioletos se dá não apenas pelo vocabulário, mas também por diferenças na gramática, fonologia e versificação.

Etnoletos
• Variedade da língua falada por membros de uma etnia (termo pouco utilizado, porque geralmente coincide com o conceito de dialeto, uma vez que ocorre em uma área geográfica definida).

Ecoletos
• É um idioleto adotado por um número pequeno de pessoas (como membros de uma família ou grupo de amigos).

CONCEITO
Uma língua nunca é igual ao que ela é em outra época e outro lugar, na prática de outro grupo social.
• É o modo pelo qual a língua se diferencia de acordo com o contexto histórico, geográfico e sociocultural.
• São as diferenças de realização linguística falada pelos locutores de uma mesma língua.
• O sistema linguístico comporta essa diferenciação que existe entre os falantes, seja linguístico, regional, sociocultural, ocupacional ou etário.
• Essas mudanças podem ser no sistema fonético, morfológico, fonológico, sintático, léxico e semântico.
• Isso representa a evolução dessa língua.
• O uso da língua não é homogêneo por todos seus falantes.
• Até mesmo individualmente uma pessoa pode usar diversas variedades de uma só forma da língua.
• É um conceito mais abrangente do que apenas um estilo de prosa ou estilo de linguagem, pois é definida pela forma que uma determinada comunidade de falantes usa as formas linguísticas de uma língua natural.
• Essas mudanças são ligadas a fatores sociais ou culturais (escolaridade, profissão, sexo, idade, grupo social, etc.) e até mesmo geográficos (português do Brasil, de Portugal, falares regionais, etc.).
• A linguagem popular também é uma variedade social ou cultural.
• Um dialeto, por exemplo, é uma variedade geográfica.
• O ramo da linguística que procura estabelecer as fronteiras entre os diferentes falantes de uma língua é a sociolinguística.
• Os pesquisadores verificam as diferenças no modo de falar de acordo com o lugar em que estão (variação diatópica), com a situação de fala ou registro (variação diafásica) ou de acordo com o nível socioeconômico do falante (variação diastrática).

TIPOLOGIA DE VARIEDADES LINGUÍSTICAS
• Essas variedades não ocorrem isoladamente, há um inter-relacionamento entre elas.
• Por exemplo, uma variante geográfica pode ser vista como uma variante social, se levar em consideração a migração entre regiões do país.
• É importante destacar que não existe uma forma mais correta.
• Há a forma mais adequada para se expressar de acordo com a situação, conseguindo o máximo de eficiência da língua.
• Muitas vezes essa linguagem “não padrão” possui raízes históricas.
Obs: O meio rural preserva as variantes mais antigas por ser menos influenciado pelas mudanças da sociedade.

Variedades Geográfica ou Diatópica
• Diatópica (do grego: dia + topos =  “através de” + “lugar”).
• São as variantes relativas à distância geográfica que separa os falantes.
• Há diferenças de pronúncia, de vocabulário e estrutura sintática entre as regiões.
• Essas diferenças linguísticas entre as regiões são graduais, e nem sempre coincidem com as fronteiras geográficas.
• Um exemplo relativo ao vocabulário é a palavra “mexerica”, que é conhecida em outras regiões por “bergamota” ou “tangerina”.

Variedade Histórica ou Diacrônica
• Diacrônica (do grego: dia + khronos = “através de” + “tempo”).
• Relacionada com a mudança linguística através do tempo.
• Ela acontece ao longo de um período de tempo e o processo é gradual.
• Essas variedades aparecem na comparação de textos em uma mesma língua escritos em épocas diferentes e são verificadas diferenças na gramática, léxico e às vezes na ortografia.
• Quanto maior o tempo que separa os textos, maiores são as diferenças.

Variedade Histórica ou Diacrônica
• Por exemplo, na língua portuguesa vemos uma variedade diacrônica entre o português moderno (com suas diversidades geográficas e sociais) e o português arcaico.
• Podem ser mudanças na grafia ou no significado.
• A palavra farmácia, por exemplo, já foi grafada com “ph”.
• Uma variante usada inicialmente por um grupo restrito de falantes começa a ser adotado por indivíduos socioeconomicamente mais expressivos.
• Entre as gerações mais velhas, a forma antiga permanece, mas com o tempo a nova variante se torna normal na fala, e se consagra pelo uso.

Variedade Social ou Diastrática
• Diastrática (do grego: dia + stratos = “através de” + “nível”).
• São as modificações da linguagem produzidas pelo ambiente.
• Fatores como classe social, educação, profissão, idade, procedência étnica, etc., motivam os estudos dos socioletos (ver glossário).
• Há países em que existe uma hierarquia social muito clara e o socioleto da pessoa define sua classe social, podendo significar uma barreira para a inclusão social.
• Aqui entram alguns fatores de diversidade: nível socioeconômico, grau de educação, idade e gênero do indivíduo.
• Essa variação não impede a compreensão entre indivíduos como poderia acontecer com a variação regional, por exemplo.
• Certas variantes podem identificar o nível socioeconômico de uma pessoa. Ex: surfistas, advogados, religiosos, etc.
Obs: Socioleto é uma variante da língua falada por um grupo social (classe social ou subcultura). É diferente do idioleto, uma língua peculiar a um indivíduo. E também é diferente do dialeto, que é uma forma de falar de uma certa área.

Variedade Situacional ou Diafásicas
• Diafásica (do grego: dia + phasis = “através de” + “discurso”).
• São as modificações na linguagem que decorrem do grau de formalidade da situação ou circunstância.
• Essa formalidade influencia o grau de observância das regras, normas e costumes na comunicação linguística.
• É possível identificar dois limites extremos de estilo: o informal e o formal.
• No primeiro há um mínimo de reflexão sobre as normas linguísticas e é usado nas conversas imediatas do cotidiano.
• Já no outro, o grau de reflexão sobre as normas é máximo, sendo usado em conversações com conteúdo mais elaborado e complexo.

Variedades de Uso da Língua
Veja esta lista com os traços de variedades mais comuns:
• Uso de “R” pelo “L” em final de sílaba e nos grupos consonantais: pranta/planta; broco/bloco.
• Alternar “LH” e “I”: muié/mulher; véio/velho.
• Tendência de tornar paroxítonas as palavras proparoxítonas: arve/árvore; figo/fígado.
• Simplificação da concordância: as menina/ as meninas.
• Ausência de concordância verbal: “chegou” dois homens.
• Assimilação do “ndo” em “no” ou do “mb” em “m”: falano/falando; tamém/também.
• Redução do “R” do infinitivo ou de substantivos: amô/amor.
• Redução do “e” ou “o” átonos: ovu/ovo; bebi/bebe.
• Simplificação da conjugação verbal: eu amo, você ama, nós ama, eles ama.
• Redução dos ditongos: caxa/caixa; pexe/peixe.

NÍVEIS DE VARIAÇÃO LINGUÍSTICA
Esse processo de variação ocorre em todos os níveis de funcionamento da linguagem, mas é mais perceptível na pronúncia e vocabulário. Esses níveis se superpõem.

Nível fonológico
• Não ocorre apenas com os sons (fonético, o que diz respeito aos sons da fala), mas também com vocabulário.
• Exemplos de vocabulário: Em alguns lugares o aipim é conhecido como mandioca ou macaxeira.
• Exemplos de sons: o R caipira, o S chiado do carioca, etc.

Nível morfo-sintático
• Algumas pessoas não realizam a concordância entre sujeito e verbo.
• Conjugação de verbos irregulares como se fossem regulares: “manteu” em vez de “manteve”, “ansio” em vez de “anseio”.
• Também há variedade em termos de regência: “eu lhe vi” ao invés de “eu o vi”.

Nível vocabular
• Palavras empregadas em um sentido específico de acordo com a região.
• Por exemplo em Portugal diz-se “miúdo” enquanto que no Brasil utiliza-se “garoto”, “menino”, “guri”.
• Gírias são um processo de variação vocabular.

NÍVEIS DE LINGUAGEM
• Os níveis de linguagem pertencem a todos os membros de uma comunidade e está em constante mutação.
• As transformações linguísticas são determinadas pelo conjunto de usuários.
• A língua escrita, que obedece as normas gramaticais, é diferente da oral (mais espontânea, livre).
• Ela difere do padrão culto, o que criou um abismo  para os usuários da língua no Brasil.
• É difícil para os brasileiros se expressarem em português com clareza e correção.
• Mas utilizar a norma culta para se expressar depende das situações.

Existem duas modalidades de língua:
Língua funcional de modalidade culta, língua culta ou língua padrão: tem como base a norma culta e compreende a língua literária. É a língua utilizada pelo segmento mais culto e influente de uma sociedade, pelos veículos de comunicação de massa (rádios, televisão, jornais, revistar, anúncios, etc.), colaborando na educação.
Língua funcional de modalidade popular: língua cotidiana, que apresenta diversas gradações.

Linguagem culta ou padrão
• É ensinada nas escolas.
• Usada pelas pessoas instruídas de diferentes classes sociais.
• É mais usada na linguagem escrita e literária, refletindo prestígio social e cultural.
• Mais estável, está menos sujeita a variações.

Linguagem coloquial ou popular
• Usada pelo povo.
• É quase sempre rebelde às normas gramaticais e é carregada de vícios de linguagem, expressões vulgares e gírias.
• Está presente em diferentes situações: em conversas entre amigos e familiares, programas de tv, novelas, etc.

Gíria
• Gíria não é linguagem popular, é um estilo que se integra à língua popular.
• Ela se relaciona ao cotidiano de certos grupos sociais, como estudantes, esportistas, etc.
• É um meio de expressão para que as mensagens sejam decodificadas pelo próprio grupo.
• Com o tempo ela pode acabar incorporada, permanecer no vocabulário de alguns grupos ou até cair em desuso.

Linguagem vulgar
• Ligado à grupos que tem quase não têm contato com centros civilizados.
• Ex: “Nóis vai”, “vamo i no mercado”.

Linguagem regional
• Regionalismo ou falares locais.
• No Brasil há falares: nordestino, baiano, mineiro, paulista, etc.
• São variações geográficas.

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